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Prefeito do Guarujá e candidato à reeleição, Válter Suman (PSB) mostrou-se favorável ao projeto da construção do túnel para interligar Santos ao Guarujá, no litoral paulista. Em entrevista ao site Portogente, Suman afirmou que “a construção de um túnel seria o ideal, não só para navegação do porto, mas também para atender a mobilidade entre as duas cidades”. Com relação ao projeto da ponte, outra alternativa estudada para a ligação seca, o candidato à reeleição disse “que o projeto limita o acesso da população e prioriza a questão portuária”. Além dos projetos sobre a ligação seca ente Santos e Guarujá, Suman também falou temas sensíveis para o Porto, incluindo questões como tributação e desestatização.

Confira a entrevista de Válter Suman a as propostas para o Porto de Santos.

Quais as ações necessárias para a integração porto-cidade? Qual a proposta do candidato a respeito deste tema?

A Margem Esquerda do Complexo Portuário da Baixada Santista, no trecho compreendido no município de Guarujá, representa cerca de 30% de tudo que é movimentado no Porto. São nove terminais portuários e outros 14 retroportuários, que empregam cerca de 3.600 pessoas, a maior parte (80%) moradores do município. Neste contexto, a integração porto-cidade já é uma realidade. Porém, a busca constante da prefeitura é por obras fundamentais para a melhoria da movimentação portuária, a exemplo da segunda fase da Avenida Perimetral, obra prometida desde 2013 e que ainda não saiu do papel. Com a ligação direta da Rodovia Cônego Domênico Rangoni para a área do porto organizado, conseguiremos segregar em definitivo o tráfego de caminhões da área urbana da cidade.

Como fazer com que a almejada expansão da área do Porto beneficie o setor e a população do entorno? Como aliar desenvolvimento econômico com sustentabilidade?

A prefeitura já está em tratativa com a Autoridade Portuária para a implantação da mais um terminal em Guarujá, que será viabilizado com a conclusão da remoção de 1.200 famílias de comunidades como Prainha, Marezinha e Aldeia para conjuntos como o Parque da Montanha, conciliando geração de empregos com moradia digna. Outro projeto é a viabilização da Zona Retroportuária de Guarujá, que já está em estudo por meio de uma Proposta de Manifestação de Interesse (PMI). São aproximadamente 4,5 milhões de metros quadrados às margens da Rodovia Cônego Domenico Rangoni, que serão utilizados para dar suporte às operações portuárias. Outra demanda fundamental para a sustentabilidade das operações portuárias é a construção de um pátio para caminhões, também em tratativa com a autoridade portuária.

Como fazer com que os impostos arrecadados no Porto possam ser revertidos para a cidade?

As operações portuárias em Guarujá são responsáveis por 68% da arrecadação de ISS no município. A ampliação das ações fiscalizatórias por parte da prefeitura também contribuiu para evitar a evasão de divisas. Em 2019, o total arrecadado de ISS das atividades portuárias e retroportuárias totalizou mais de R$ 95 milhões, um incremento de 11% em relação ao ano anterior. Outro pleito em estudo é a criação de um posto alfandegado na margem de Guarujá.

Como avalia o processo de desestatização do Porto? Que modelo considera ideal?

Já foi anunciado pelo ministro da Infraestrutura, Tarcísio de Freitas, a intenção do governo federal em privatizar o Porto de Santos. Então, acreditamos que seja o caminho natural do complexo portuário. Entendemos a importância da participação do setor privado na retomada do crescimento econômico, especialmente no setor da infraestrutura, o que pode fazer da privatização um marco para a retomada da economia brasileira. Claro que questões tarifárias, o nível de independência do novo órgão que assumirá o Porto perante o governo e a sua atuação junto aos operadores de terminais e armadores precisam ser bem analisados e estudados. Quando há diálogo, tudo fica mais fácil.

Como avalia o processo para realização da ligação seca (túnel ou ponte?). Qual o projeto considera melhor para a cidade e o Porto? Tem atuado ou atuará em prol da defesa da ligação seca? Como?

Embora o governo do Estado esteja reformulando o projeto a fim de atender as questões portuárias, acreditamos que a construção de um túnel seria o ideal, não só para navegação do porto, mas também para atender a mobilidade entre as duas cidades. O projeto de ligação seca entre Guarujá e Santos necessita atender ao menos 70% do atual fluxo da travessia de balsa e barcas (Itapema). Não há dados que comprovem que a ponte chegue perto desta capacidade. Por isso, somos favoráveis ao túnel submerso, que é considerado em estudos de universidades, e por especialistas, como a obra que resolve o problema com as balsas. É consenso que a ligação seca tem que possibilitar o acesso de veículos de passeio e de motos, bicicletas, táxis, motoristas de aplicativo, transporte coletivo e até o próprio VLT, cujo projeto prevê essa extensão no futuro. O projeto da ponte limita o acesso da população e prioriza a questão portuária, uma vez ser instalada no km 250 da Rodovia Cônego Domenico Rangoni.