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A proposta sustentável do túnel ligando Santos a Guarujá foi destaque essa semana no “Seminário Brasil–França: o transporte de carga em 2050 – Descarbonização e veículos autônomos”, que ocorreu na Unisanta. No painel “Potencialidades multimodais para a Baixada Santista”, o consultor do Vou de Túnel, engenheiro e mestre Eduardo Lustoza, falou sobre a importância do túnel para realizar a integração rodoferroviária entre as margens esquerda e direita do Porto de Santos e para promover o crescimento do complexo portuário.

Lustoza lembrou que o túnel imerso atenderá a 45 mil trabalhadores que transitam diariamente no fluxo da margem esquerda e direita do Porto de Santos, na região da Ponta da Praia, em Santos. Citou também a capacidade do imerso de atender ao fluxo de pedestres, cliclistas, skatistas e usuários do VLT.

O novo traçado do túnel busca promover o acesso às duas margens do Porto de Santos sem colapsar o trânsito na região da Praça 14 Bis, em Vicente de Carvalho, ao mesmo tempo em que promove uma conexão com o Aeroporto Metropolitano de Guarujá, previsto para entrar em funcionamento ainda este ano.

O projeto do túnel também apresenta uma proposta sustentável, já que é planejado para diminuir a emissão de carbono na atmosfera. Segundo Lustoza, o engenheiro Tarcísio Celestino, especialista em túneis, fala em uma economia de carbono e de combustível equivalente a três voltas no planeta, já que evita a ligação pela Rodovia Domênico Rangoni. Alertou que um acidente na rodovia na região da Serrinha poderia isolar o acesso aos terminais da margem esquerda, que respondem a quase 50% da movimentação portuária.

O túnel conta com dispositivos de segurança contra acidentes, possibilitando dispersões rápidas dos usuários, caso ocorra a formação de gases no seu interior. Ele será inserido em um nível de profundidade no mar suficiente para não prejudicar o trânsito de grandes navios, pois terá um gabarito de navegação superior ao do canal do Panamá. A nova localização do túnel, próxima à região da Marinha (lado de Santos), também foi um aprimoramento da nova modelagem do túnel. Lustoza destacou que a Agência Metropolitana da Baixada Santista precisa ser incentivada a trabalhar no desenvolvimento do Porto, e lembrou as restrições que a ponte projetada poderia causar no canal de navegação marítima e aérea.

Com a concretização do projeto do túnel ligando Santos a Guarujá, o Brasil teria a primeira obra imersa do tipo construída em um grande Porto, promovendo conforto para a população por meio de um transporte bimodal sustentável, disse o engenheiro. “No futuro, com a realidade do túnel se concretizando, a tendência é a população compreender que a construção de um túnel é relativamente simples e mais barata do que uma ponte para transposição de canal de navegação”.

Sobre o evento
O Seminário Brasil–França discutiu as principais tendências e desafios do transporte e mobilidade no Estado, bem como a ligação entre a capital e o Porto de Santos. O evento foi uma iniciativa da Universidade Santa Cecília, Sistema Santa Cecília de Comunicação, da TACV LAB e do Instituto Francês Mines-Télécom com co-organização do CREA-SP, com apoio do Consulado Geral da França em São Paulo e do Governo do Estado de São Paulo.

FOTO: Unisanta