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O Conexão Porto, quadro da TV Record Litoral, discutiu as vantagens e desvantagens dos projetos de ligação seca entre Santos e Guarujá. A reportagem mostrou a proposta do movimento Vou de Túnel de implantar uma solução imersa e do governo estadual de construir uma ponte. A reportagem lembrou a necessidade urgente de se solucionar a demora centenária da travessia da balsa, e a luta histórica pela implantação de uma ligação seca.


O engenheiro naval e consultor da campanha Vou de Túnel, Casemiro Tércio Carvalho, mostrou os benefícios do túnel, conectando as cidades e atendendo às necessidades do Porto. Segundo ele, o túnel serviria mais à mobilidade pública. O projeto conta com três faixas de rolagem em cada sentido, inclui o transporte de massa (VLT) e conecta o passageiro (pedestres e ciclistas).


“É um projeto que conecta de fato Guarujá e Santos, atraindo a maior demanda para a travessia”, explicou Tércio. Além de solucionar a fila enorme da balsa, atrai o usuário da Rodovia Piaçaguera e atende e respeita a todas as demandas do Porto e da cidade, destacou.

Já a ponte, explicou o consultor, possui apenas duas faixas em cada sentido e não abrigará o ciclista, priorizando o transporte de carga – e apenas uma parte pequena de carga, explicou. “E retirar o trânsito da Rodovia Piaçaguera para usar uma ponte atravessando o porto não faz sentido”.


O projeto do túnel está inserido no projeto de desestatização do Porto e, além disso, conta com outra opção de financiamento privado. “Há um compromisso do ministro Tarcísio de Freitas e do governo federal de incluir o túnel no processo na desestatização. E na hipótese de o processo atrasar, temos como plano b a concessão pura ou patrocinada com a Autoridade Portuária. Existe uma doação de projeto para a Autoridade Portuária incluir o túnel no projeto de desestatização”.


A reportagem salientou o trabalho da campanha Vou de Túnel, que ganhou força com o grande apoio de empresas e terminais que operam no Porto. E destacou que as autoridades estão mobilizadas para resolver o problema da ligação seca, desde que não prejudique o futuro do Porto.

Sobre o argumento do governo estadual de que ponte e túnel podem convergir, Carvalho explicou que o túnel é o único projeto que não prejudica a navegabilidade do Porto. A ponte inviabilizaria o trânsito de grandes embarcações, levando em conta que os navios de carga estão cada vez maiores.


Cada projeto – ponte e túnel – tem uma demanda e uma forma de investimento, afirmou. Porém, conforme as determinações da Associação Mundial de Infraestrutura de Transporte Marítimo (Pianc) e dos padrões de engenharia costeira, bons gestores portuários não defendem a ligação seca por via áreas, diz o engenheiro. Segundo ele, os navios crescem muito mais em dimensões aéreas do que em calado (profundidade, além de largura e comprimento). Logo, todo engenheiro portuário vai defender a atividade portuária. “Nada contra a ponte, mas não no Porto”, definiu.