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Para Casemiro Tércio, projeto do túnel é o mais apropriado para atender às demandas do Porto e da cidade

O projeto da construção do túnel para interligar Santos ao Guarujá, no litoral paulista, atende todas às demandas do Porto e da cidade. É o que afirma o engenheiro naval e consultor portuário Casemiro Tércio, representante do movimento Vou de Túnel. Em entrevista ao programa Porto & Negócios, da TV Santa Cecília, ele explicou que o projeto possui diferenciais como a quantidade de faixas de rolagem, o atendimento a ciclista, pedestre e VLT, e a localização no meio do canal, além da capacidade de absorver a demanda da balsa, inclusive com gestão do trânsito de caminhões nos horários de rush.

“O túnel atende ao transporte entre margens e à travessia Santos-Guarujá, pois o usuário do túnel não vai ficar 40 minutos esperando a balsa, que poderá até ter fins turísticos”, afirmou.

De acordo com o engenheiro naval, o túnel é necessário principalmente porque a projeção do PDZ é que o Porto movimente 260 milhões de toneladas. Logo, a ampliação do trânsito de navios irá aumentar. Hoje a embarcação menor (balsa) precisa parar para os navios passarem, o que resulta em uma perda de 3 a 4 horas por dia de operação da balsa com os tempos de espera para passagem do navio. “A balsa segura o movimento e a saída do navio e o número de navios tende a aumentar”, afirmou.

Tércio lembrou que houve críticas ao custo do túnel, mas a viabilidade financeira foi equacionada. A Autoridade Portuária deverá fazer um chamamento de estudos no mês que vem para a concessão do túnel. Está previsto um modelo patrocinado, ou seja, a Autoridade Portuária paga a contraprestação para o operador construir e administrar, e haverá fluxo de caixa com o pagamento da tarifa pelo usuário. Segundo seus cálculos, se o Porto tivesse que gastar e custear toda a operação no caso do túnel, o valor seria de R$ 300 milhões negativos. Hoje a Autoridade Portuária tem quase R$ 1 bilhão em caixa, o que viabiliza o projeto financeiramente.

Portanto, o túnel pode ser incluído naturalmente no processo de desestatização e já tem projeto de engenharia. É preciso somente readequar o traçado, sem a necessidade de promover desapropriação em Santos. “Alinhamento só no final do VLT. Do lado de Guarujá tem indenização porque o traçado passa por casas de palafitas, que serão realocadas para moradia popular”, justificou.

Engenheiro questiona viabilidade da ponte

Tércio questionou a finalidade da ponte e lembrou que solicitou à Secretaria de Logística o projeto, mas ainda não o recebeu a documentação. “O que nos preocupa é a insistência. O discurso vai mudando: antes a ponte era melhor, agora os dois projetos podem conviver. Mas a que custo logístico? A ponte é um ativo para resolver problema de estrada, mas o quanto ela vai ser demandada de fato? É preciso saber se ela realmente vai diminuir fluxo de caminhões”, disse.

Para ele, é preciso pensar o local de onde a ponte sairia, o vão de navegação, e o perigo de colisão de um navio com o pilar de ponte. “Isso acontece, e existe um órgão chamado APIANC, que estabelece regulamentação, padrões de navegabilidade, de projeto de porto, de canal, conforme as normas da Marinha. A concretização da lei precisa acontecer. Qualquer técnico de Engenharia tem que proteger o canal do Porto e Santos, que é sinuoso, estreito. A ponte precisa ser muito bem justificada, e a Engenharia dá soluções para o projeto. Mas qual a justificativa do projeto?”, ressaltou o engenheiro.

“O tempo da obra do túnel previsto é de dois anos – nosso movimento não é para entrar no Fla-Flu, mas fazer o túnel sair do papel. A ponte vai existir onde tiver sentido, e em Santos ela não faz sentido”, finalizou Tércio.

Confira a entrevista completa (a partir do minuto 59): https://www.youtube.com/watch?v=AtTAQLGenjc&t=3611s