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A prova de que construir um túnel é financeiramente possível está no litoral de Santa Catarina, na região de na foz do Rio Itajaí-Açu. As cidades do entorno se organizam para implantar um modal imerso em região portuária, na chamada Barra do Rio. A escolha também comprova que, tecnicamente, a alternativa de um túnel oferece muito menos risco à navegabilidade.

O projeto do túnel do túnel Itajaí-Açu, que atende uma demanda de mobilidade urbana de décadas, ganhou o apoio do Banco Mundial, que irá financiar o projeto orçado em US$ 200 milhões, em parceria com um apoiador privado. A obra também será custeada com a cobrança de pedágio.

No site Portogente, o diretor executivo do Consórcio Intermunicipal Multifinalitário da Região da Associação dos Municípios da Região da Foz do Rio Itajaí (AMFRI), Joao Luiz Demantova, conta sobre a proposta do projeto da ligação seca.

O túnel que ligará as cidades de Balneário Camboriú, Itajaí e Navegantes integra um projeto maior de mobilidade, que prevê uma rede de transporte coletivo entre os 11 municípios da Foz do Rio Itajaí, com veículos elétricos e reurbanização de vias.

Segundo a AMFRI, o projeto do túnel foi inspirado na proposta da Autoridade Portuária de Santos e também prevê três faixas – duas para veículos, uma para ônibus, BRT, além de abrigar ciclistas e pedestres. Com menor dimensão (300 m), o túnel vai ser construído a partir da mesma tecnologia: sistema pré-moldado, com a posterior implantação de cada peça no fundo do mar.

O exemplo de Santa Catarina mostra que para que projetos dessa natureza avancem é preciso união entre as instâncias municipal, estadual e federal. O túnel se tornou possível depois que os todos os municípios da região da Foz se uniram em 2015 para formar o Colegiado da AMFRI e criar um consórcio intermunicipal para implantar obras regionais.

A proposta do túnel é resultado de várias pesquisas e referências internacionais e do debate realizado na Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos sobre o projeto do túnel Santos-Guarujá em 2020, encontro do qual Demantova participou.

A ideia de construir uma ponte foi abandonada em Santa Catarina após quase 30 anos de discussão, já que esse tipo de solução de ligação seca poderia colocar em risco as operações do Aeroporto de Navegantes e a navegabilidade do Porto de Itajaí.

Na reportagem do Portogente o diretor salientou que, “ao contrário do que ocorre na Baixada Santista, a região não tem a pressão de um concessionário (Ecovias) para implantar uma obra (uma ponte). Tratou-se de uma decisão puramente técnica e econômica, buscando não inviabilizar a cadeia industrial nas margens do Itajaí-Açu, em especial a portuária”.

O projeto do túnel de Santa Catarina avançou rápido nos últimos anos, com os primeiros estudos do projeto de mobilidade regional iniciando em 2016 e sendo entregues em 2017.

Na Baixada Santista, a decisão pela ligação seca (ponte ou túnel) ocorrerá até setembro pelo governo federal. A depender da grande parcela de instituições, municípios, empresas e da própria população, que demonstra apoio ao projeto do túnel, em breve também teremos uma boa notícia para a região. A campanha Vou de Túnel ganha força em prol da implantação da melhor solução de ligação seca para a população e para o Porto de Santos.

Com informações do Portogente.