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Todos os anos a população da Baixada Santista, principalmente de Santos e Guarujá, sofre com o problema das balsas, seja por maré, vento, neblina ou manutenção corretiva. Além da travessia ser demorada, há um histórico recorrente de embarcações ou dos atracadouros que sofrem frequentes danos e precisam ser reformados. É cada vez mais urgente a implantação de uma ligação seca moderna, que traga benefícios à população e permita atravessar o canal de forma mais eficaz.

Os problemas das balsas acometem não só a travessia entre Santos e Guarujá. Há mais de dez dias, um flutuante do sistema de balsas de Bertioga, no atracadouro do lado do Guarujá, foi rompido pela força da maré. O serviço está paralisado e não há previsão de quando será retomado. O sistema de balsas, atuando em um canal estreito como o Porto de Santos, é ineficiente, obsoleto e traz prejuízos à população, precisando ser substituído com urgência.

Na travessia Santos-Guarujá, moradores e turistas reclamam há dezenas de anos pela demora e ineficiência de um sistema considerado arcaico, que volta e meia apresenta problemas, prejudicando a travessia de 40 mil pessoas que transitam diariamente entre as cidades. Periodicamente as balsas precisam ser reformadas, dado o tempo avançado em que elas estão em operação e dificuldades de manutenção preventiva.

Recentemente, a lancha Paicará, que opera há 51 anos na travessia entre Santos e Vicente de Carvalho, foi reformada depois de sete meses de trabalho. A reforma custou R$ 5 milhões, conforme o Departamento Hidroviário (DH), órgão vinculado à Secretaria de Logística e Transportes do estado de São Paulo. A embarcação, a maior da frota disponível, tem capacidade para 728 passageiros e diariamente transporta 15 mil pessoas.

A presença das balsas lentas em um canal que recebe navios de grande porte também oferece insegurança para a logística do Porto de Santos e para os usuários do sistema de travessia. Em junho do ano passado o navio de contêineres Cap. San Antonio perdeu a rota e colidiu com os atracadouros das balsas no lado do Guarujá. Ninguém ficou ferido no acidente, mas a colisão danificou a plataforma de embarque de ciclistas, paralisando temporariamente a travessia Santos-Guarujá e acendendo a luz de alerta: uma catástrofe poderia ter ocorrido se houvesse atingido uma balsa cheia de veículos que estava atracada.

Além disso, todos os dias a balsa que promove a travessia entre as duas cidades precisa aguardar o momento em que não há nenhuma embarcação de grande porte para atravessar, o que acarreta filas nas travessias de balsas e barcas. Qualquer obstáculo no Porto amplia a probabilidade de acidentes, que pode implicar em perdas de vida e em prejuízo econômico para a atividade portuária, atestam especialistas.

O secretário de Logística e Transportes de SP, João Octaviano, publicou artigo recentemente em A Tribuna sobre os investimentos que o governo tem feito nas travessias, com reformas e ampliação do número de balsas. Ele cita o rompimento recente do flutuante na travessia Bertioga-Guarujá e afirma que a reforma foi providenciada. Também afirma que está reformulando o edital para privatização das balsas. No entanto, especialistas afirmam que o alto custo gerado pelos pedágios com a balsa ao longo de dezenas de anos poderia ter sido investido na construção de um túnel.

O túnel é considerado por especialistas a melhor opção para a mobilidade pública, a segurança e expansão do cais santista. A construção do túnel entre as Santos e Guarujá seria um investimento importante, trazendo uma solução perene e sustentável, evitando riscos de acidentes nas imediações.

O engenheiro naval e ex-presidente da Autoridade Portuária de Santos, Casemiro Tércio de Carvalho, lembra que nos principais portos do mundo conta-se com a presença de túneis, em detrimento de projetos considerados obsoletos do ponto de vista da segurança e que inviabilizam a passagem de navios maiores, afirma.

O nível de manutenção das balsas na travessia Santos-Guarujá demonstra ser extremamente precário, diz o porta-voz da Campanha Vou de Túnel, Eduardo Lustoza, ao avaliar o estado das rampas de acesso e quebra frequente das embarcações. Ele explica que os navios atrapalham a balsas, que devem manter distanciamento regular das grandes embarcações, por terem prioridade de passagem. Criam-se, assim, filas de veículos em ambas as margens, explica Lustoza.

Logo, segundo Eduardo Lustoza, o projeto do túnel imerso é a opção que atende e cobre todas as questões relacionadas à segurança, pois não cria uma barreira física no canal de navegação. O túnel imerso promoverá a inclusão social e a sustentabilidade ambiental e econômica, é seguro e ampliará a mobilidade urbana, integrando as ciclovias e contando com uma via exclusiva para o VLT – Veículo Leve sobre Trilhos, que no futuro atenderá também o Aeroporto Metropolitano do Guarujá, reduzindo o tempo de deslocamento com o transporte público em ambos os municípios.

Foto: G1 – Arquivo Pessoal