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Foto: Eduardo Lustoza

A ligação seca entre as duas cidades às margens do porto será a emergência do espaço de fluxos do qual poderá surgir uma nova estrutura socioprodutiva

Passados 93 anos do projeto do engenheiro-arquiteto Prestes Maia, de ligação a seco das margens do estuário do Porto de Santos (litoral paulista), e de tantos anúncios alternados e vazios de construção de pontes e túneis, promete-se mais uma vez a tal obra, agora simultaneamente e disputando qual prevalecerá. A ponte terá seus custos por conta da Ecovias – concessionária da via Imigrantes – e o túnel tem a promessa do Ministério da Infraestrutura.

Se houver certeza da sua construção, o túnel tem primazia à ponte. A ponte, todavia, como estratégia do negócio da Ecovias e da política, pode representar uma conquista de quase um século para a Baixada Santista, inaugurada pelo governador de São Paulo, João Doria, candidato à Presidência da República. De fato, há condição de implantar este projeto com muito mais presteza do que o do túnel, que ainda está em tratativas. Porém, esta condição é irrelevante.

O túnel atende a muito mais interesses comunitários e amplia a integração entre as duas cidades à margem do estuário. Nele, passarão bonde elétrico, veículos motorizados, bicicletas e pedestres. Por isso, tem melhor alcance social. Outro fator importante é não limitar o calado aéreo, que deveria ser mais explorado em um porto, com um aeroporto na sua área. Entretanto, diverso da ponte, ainda não há investimento necessário garantido para construir o túnel.

É um disparate pensar um porto da dimensão do de Santos com margens incomunicáveis, considerando que as conexões atuais levam horas para serem realizadas. Ponte ou túnel pode eliminar essa enorme resistência atual e agregar produtividade à operação portuária. Sob a ótica construtiva, essas estruturas são utilizadas em várias partes do mundo e comprovadas. O que não se pode tolerar é a protelação, mais uma vez, dessa obra.

Dentro da sua programação de webinar semanal (WSP), Portogente vai promover, no dia 24 de setembro próximo, um debate sobre essa questão, confrontando as duas opções na visão do Porto e das cidades. Sobre uma solução tão indiscutível e que se arrasta há quase um século.

Fonte: Portogente