fbpx

A ligação seca entre Santos e Guarujá pelo túnel está em fase bem avançada, diz o manifesto que a União dos Vereadores da Baixada Santista (UVEBS), entregue ao governo federal na semana passada em defesa do projeto. Capaz de trazer qualidade de vida, desenvolvimento local, modernidade, mobilidade e valorização para a região, o projeto do túnel vem ganhando cada vez mais adesão das autoridades públicas, municípios, instituições, empresas e da população.

O crescimento na movimentação de carga e a expansão portuária, somados à resolução de um problema secular de mobilidade pública, são argumentos que têm levado à escolha pelo túnel.  A campanha Vou de Túnel tem sido responsável por informar a região sobre a melhor opção de mobilidade urbana e ligação seca entre as cidades.  

Antes da campanha começar, uma pesquisa realizada com moradores de Santos e Guarujá em fevereiro de 2020 apontou que 85% dos entrevistados se sentiam mais ou menos, pouco ou nada informados sobre a proposta de ligação seca entre as cidades, lembrou o texto entregue ao governo federal.

O apoio da Uvebs ao Movimento Vou de Túnel de iniciativa reforçou a campanha de iniciativa da sociedade civil organizada. A Uvebs representa os 136 vereadores, que atuam pela região com mais de 1,8 milhão de habitantes e mais de 1,3 milhão de eleitores.

Benefícios para a população

O túnel é a proposta de ligação seca que reúne as melhores condições do custo-benefício, pois resolve a questão do problema do trânsito, diminuindo a distância entre as duas margens do Porto, e reduz os gastos com pedágios na balsa e com combustível. 0 projeto beneficia a população ao resolver o problema da travessia entre Santos e Guarujá.

Atualmente, mais de 35 mil pessoas precisam escolher entre enfrentar as filas nas barcas e balsas ou percorrer 53 km, na Rodovia Cônego Domênico Rangoni. Com o túnel imerso em localização central e urbana, a população poderá atravessar em menos de cinco minutos, percorrendo 1,7 km em um sistema de mobilidade urbana eficiente e que não sofrerá influência das condições climáticas, diminuendo dependência das balsas veiculares.

0 projeto do túnel imerso une as cidades de Santos e Guarujá com três pistas para veículos (leves, pesados e sobre trilhos- VLT), faixas para ciclistas e pedestres, configurando-se um sistema de mobilidade urbana completo. Este poderá ser, portanto, o primeiro túnel do Brasil com integração de diversos modais, incluindo também o skate.

O projeto está em sintonia com um dos atuais desafios da mobilidade na Baixada Santista, que é desenvolver obras modernas em consonância, incluindo modais como bicicleta e a caminhada pedestre. “A bicicleta é um meio de transporte barato e acessível. O andar a pé é a realidade de multas pessoas.  Há muitos anos, ciclistas e pedestres da região enfrentam a demora das balsas e barcas, sendo que nas balsas os ciclistas passam pelo desconforto da falta de abrigo durante os períodos de chuvas e longas filas de espera”, diz o documento.

O transporte coletivo da região também será beneficiado pelo túnel. Como haverá redução de custos e com a integração do transporte intermunicipal, menos tempo será gasto nas viagens dos trabalhadores. Ao ligar a área urbana de Santos e a área urbana do Guarujá, não será necessário ir até a entrada de Santos para acessar uma ponte e usar o trecho rodoviário até chegar ao centro do Guarujá.  Haverá ainda diminuição do tráfego na única opção ao Porto pela Rodovia Cônego Domênico Rangoni e nas balsas.

O primeiro túnel imerso do Brasil tem potencial para se tornar uma atração turística e colaborar com o turismo local e regional.

Benefícios para o Porto

O túnel não traz obstáculos para a navegabilidade, mantendo a segurança no tráfego dos navios, bem como a área atual de manobra dessas embarcações, deixando o calado aéreo livre, sem restringir o desenvolvimento.

Estudos apontam que a expansão do Porto de Santos vai ocorrer na região das ilhas de Barnabé e Bagre, preservando a área de expansão da tancagem e do fundo do canal, na região da Usiminas. O túnel permitirá a passagem de cargas especiais de projetos pelo canal portuário e não restringirá a entrada de plataformas de petróleo, nem de navios eólicos.

“No mundo, a tendência nas regiões portuárias nos mostra que a ligação seca nos portos do mundo é imersa. A Holanda, por exemplo, está substituindo por túneis as pontes po rque estas inviabilizam a passagem de navios mais altos. Não existe ponte em rota de navegação nos principais portos espalhados pelo globo”.

Inúmeros países têm construído túneis em detrimento de projetos considerados obsoletos e que inviabilizam a passagem de navios maiores, conforme recomendações da Associação Mundial de Infraestrutura de Transporte Marítimo (PIANC).

Em junho, o sistema de travessia de balsas entre Santos e Guarujá foi prejudicado por que um navio de carga de grande porte colidiu e destruiu o terminal de passageiros na margem esquerda (Guarujá). O incidente aumentou o grau de insegurança e incertezas para a população. Se houvesse pessoas na balsa, poderia ter ocorrido o naufrágio do navio e, se ele tivesse atingido o pilar de uma ponte, o acidente provocaria a interdição do canal de navegação e prejudicaria a operação do maior porto brasileiro tragédia, inclusive com a consequentemente milhares de contratos de comércio internacional.

Benefícios para o Aeroporto de Guarujá

A região está a um passo de ter efetivamente a liberação do Aeroporto do Guarujá para operações comerciais e o túnel não interfere no cone de aproximação e na segurança operacional do aeroporto metropolitano do Guarujá, que receberá uma estação do VLT.

Viabilização financeira e construção do túnel

O túnel levará tempo similar ao de outras propostas de ligação seca para ser construído e em comparação com a ponte é uma obra mais barata, uma vez que a extensão do túnel é menor. A viabilização da obra ocorrerá através de Parceria Público Privada (PPP) ou pela inclusão da obra na concessão/desestatização do Porto. A Autoridade Portuária abriu chamamento público para atualizar estudos que embasam a construção do túnel.

Com um desenho menos invasivo no tecido urbano, a nova localização do túnel prevê menos desapropriações e intervenções físicas, pois estará conectando às perimetrais das margens direita e esquerda pela Avenida Senador Dantas, na altura do final da estação do VLT, passando por baixo do terminal Concais.

A obra poderá ser realizada em consorcio de engenharia para projeto e execução, com mão de obra nacional. A condição do solo não impede a construção e não haverá supress o de mangue e nem de Mata Atlântica, significando ganho ambiental para a região. 0 túnel será construído em profundidade superior à do canal do Porto, levando em consideração o gabarito de profundidade do Canal do Panamá, garantindo a navegabilidade de grandes navios no Porto e redução dos fretes marítimos.

A construção se dará com elementos estruturais pré-fabricados em diques secos, posteriormente transportados até o local de assentamento por flutuação e, em seguida, serão instalados um por um abaixo do nível d ‘água. Esses elementos são encaixados em trincheiras dragadas previamente no leito do canal. A possibilidade de execução de várias atividades ao mesmo tempo, o alto grau de repetição das atividades e a utilização de poucos materiais são algumas das vantagens construtivas desse tipo de obra.

Comparada com a métodos convencionais, a técnica dos túneis imersos apresenta vantagens como a menor extensão para travessias subaquáticas, menores rampas de acesso e menos interferências, tanto na paisagem natural como no tráfego de grandes navios.

Apoio ao projeto

Em maio, na Câmara dos Deputados, durante audiência pública da Comissão de Viação e Transportes com o objetivo de debater a ligação seca, Fábio Lavor, representando o Minfra, afirmou que o governo federal é favorável ao túnel, por considera-lo opção melhor para o setor portuário e para a mobilidade urbana da Baixada Santista. Por isso, o Minfra corrobora que o governo federal comunique oficialmente o formato de viabilização da obra, destaca o manifesto. A proposta do túnel conta com apoio de 86 instituições entre associações, sindicatos, universidades e empresas que acreditam na viabilidade do projeto. A petição online de apoio ao projeto já alcançou mais de 13.000 assinaturas.