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O lançamento da campanha Vou de Túnel contou hoje (24) com uma coletiva on-line que reuniu especialistas no tema e jornalistas da mídia local e nacional. A proposta da campanha é arregimentar forças do mercado e sociedade para dialogar com os governos estadual e federal em busca da implementação do projeto. Esta semana fatos novos mostraram que o projeto do túnel vem ganhando mais apoio e consistência.

Na última terça-feira, o diretor do Departamento de Novas Outorgas e Políticas Regulatórias do Minfra, Fabio Lavor, anunciou um cronograma para o estudo de viabilização da ligação seca, com inserção do projeto no processo de desestatização do Porto de Santos, durante um webinar realizado pelo portal Portogente. A proposta é que 2022 a licitação para uma ligação seca seja realizada. Um outro reforço da campanha ocorreu hoje (24) com o pedido da deputada Rosana Valle (PSB) para que o Ministério da Infraestrutura insira o projeto do túnel no processo de desestatização.

O novo traçado do túnel diminuiu em 95% o número de desapropriações e conta com três pistas, incluindo espaço para o VLT, a ciclovia e a faixa de pedestre. O engenheiro Eduardo Lustoza, da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos, ressaltou a necessidade de se eleger o projeto de ligação seca de melhor custo benefício para a região, sem obstáculos para o canal e o calado aéreo do Porto. Além disso, o modal é uma solução para milhares de moradores que precisam atravessar hoje a travessia Santos- Guarujá de balsa, lembrou.

A luta pelo túnel ganha força em época de debate sobre a mobilidade pública, por conta das eleições municipais.  A campanha Vou de Túnel consiste em um movimento de defesa do túnel nas redes sociais, na publicação de artigos técnicos em revistas, mas em muito diálogo com a Autoridade Portuária, governos federal e estadual e com a sociedade, pontuou Casemiro Tércio, ex-presidente da Autoridade Portuária de Santos.

A ponte (projeto da Ecovias) não é o melhor modelo de ligação seca, já que ela afeta grande parte da área de crescimento do porto, conforme mostra o Plano de Desenvolvimento e Zoneamento do Porto (PDZ), reforçou Tércio. Além disso, o projeto da BR do Mar prevê aumento de navegação por cabotagem, e a proposta é que o Porto de Santos se torne um hup port da América do Sul, explicou.

Segundo o especialista em túneis e professor no Departamento de Geotecnia da Escola de Engenharia de São Carlos (USP), Tarcísio Barreto Celestino, o túnel poderá gerar mais desenvolvimento para regiões como Vicente de Carvalho (Guarujá). A proposta é que a obra seja concluída em dois anos, após aprovação da proposta. O novo projeto reformulado do túnel pela Autoridade Portuária no ano passado já conta com licença prévia emitida pela Cetesb.

Casemiro Tércio abordou a questão da viabilização financeira do túnel, um dos aspectos mais importantes em termos de debate sobre a ligação seca nos últimos anos. Segundo ele, a proposta é inserir o projeto no modelo de concessão pura, dentro do projeto de desestatização do Porto de Santos, ou via parceria público-privada. Com a alta do dólar, ele vê grande possibilidade de interesse de financiamento da obra por fundos de infraestrutura. “É um movimento propício da macroeconomia e da Engenharia para fazer a obra”.