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O programa de rádio 100 Pauta, da Baixada Santista, debateu na última quarta-feira (16) o projeto do túnel com Tarcísio Batista Celestino, um dos maiores especialistas no assunto no mundo, e com o engenheiro e consultor portuário Eduardo Lustoza, Diretor de Portos da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de Santos. Também participou do programa o publicitário Américo Barbosa.


Professor doutor na Escola de Engenharia de São Carlos (USP), com experiência em docência internacional, Tarcísio Celestino, que chefiou o grupo que desenvolveu para Governo do Estado, anos atrás, o projeto do túnel imerso entre Outeirinhos e Vicente de Carvalho, apresentou dois argumentos novos e fortes em defesa do projeto. Segundo ele, o novo projeto da ponte da Ecovias propõe afastar os pilares centrais do canal, mas em compensação, tem a altura dos mastros ampliada, o que, segundo ele, interfere na segurança de navegação aérea e operação do Aeroporto de Guarujá, que está em estudos. “Essas perguntas precisam ser respondidas. Se tantos outros portos adotaram túnel e substituíram pontes, por que vamos escolher a ponte? Por qual motivo estaríamos condenando o funcionamento do aeroporto e o trânsito no canal de Santos?”


Celestino também lembrou que a ponte também promove desapropriações, porque irá ocupar uma grande área, visto que sua altura de 85 m e comprimento de 7,5 km demandam a construção de uma grande rampa em seus dois lados extremos para que se alcance o outro lado. “Faça o projeto executivo e vai descobrir”, alertou. Além disso, explicou que uma rampa com elevado de um lado e outro da ponte resulta em “um minhocão de cada lado”, proposta que vem resultando na deteriorização e degradação de áreas urbanas, além de impactos ambientais, a exemplo do que ocorreu em São Paulo.


O especialista lembrou que é inconcebível o maior Porto da América Latina não possuir ainda, em pleno século XXI, uma ligação seca, enquanto portos como o de Roterdam (Holanda) possuem várias ligações. O projeto do túnel atende a uma demanda urbanística, econômica e social imprescindíveis, afirma, ao resolver o problema da mobilidade urbana e da expansão do Porto, demandas centenárias. Também lembrou que vários portos internacionais substituíram pontes por túneis, a exemplo de países da Europa.


Para Celestino, não há mais justificativas para a construção do túnel e essa demora resulta em prejuízo para o bolso da população da região. “Os habitantes pagam por 1 túnel a cada 30 anos, é dinheiro que vira fumaça com o pagamento da travessia da balsa”.


Além disso, ressaltou a vantagem ambiental com a construção de um túnel: “Quanto de combustível se queima a mais com a ponte? São toneladas a mais de poluente, já que a viagem pela ponte é mais longa. Uma extensão de 7,5 km, é uma travessia longa, sendo os números assustadores. O que se gasta de tempo e tráfego, além de combustíveis, atrapalhando o tráfego e rotina das pessoas… Há uma diferença grande entre túnel e ponte”. Com o túnel, em menos de 5 minutos a travessia se realiza.


Eduardo Lustoza também mencionou o alto custo para a logística do setor portuário e dos profissionais envolvidos que enfrentam diariamente uma balsa, diante da ausência de uma ligação seca. No caso da demora das balsas, opta-se pelo trajeto pela Anchieta, cuja viagem leva mais de 40 minutos entre Santos e Guarujá.


O engenheiro ressaltou que os impostos arrecadados no Porto precisam ser usados na região para investimento na ligação seca e que esta não pode ser um obstáculo à navegabilidade do maior Porto da América Latina, impedindo a chegada de grandes navios e estaleiros mundiais e a expansão do complexo.


Lustoza também desmitificou que a construção do túnel gerará desapropriação de casas, problema que ocorria no projeto anterior da Dersa. O projeto foi alterado pela Autoridade Portuária de Santos, reduzindo o custo das obras, e ficou inserido em áreas da União, em ambas as margens, conectando as avenidas perimetrais do Porto, e incluindo a travessia do VLT, extremamente importante na integração da região metropolitana. Além disso, comentou que o valor da construção do túnel possivelmente, hoje, está mais baixo em relação à ponte da Ecovias, por conta do alargamento do vão central.


Outro alerta importante foi em relação aos novos projetos navais que pretendem utilizar a energia eólica em navios, classe ecológica, que certamente irão ganhar altura para implantação de mastros e velas metálicas, aposta da Suécia, que atende às exigências de mudanças climáticas e aquecimento global com o navio chamado Oceanbird.


“Não é aceitável nem seguro restringir o calado aéreo do maior porto do país, pois é preciso estabelecer um compromisso com a economia do país, hinterlândia que afeta diretamente a uma população de 72 milhões de brasileiros”.