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Nesta semana, um vídeo que mostra o momento exato da colisão de uma embarcação com o pilar de uma ponte na China viralizou nas redes sociais. Exemplos como este reforçam o argumento de que pontes criam obstáculos físicos à navegação, o que  tem se tornado um mantra no setor da Engenharia.  O acidente na China é mais um dos fatores para que entidades representativas de engenheiros nacionais e regionais manifestem apoio ao projeto do túnel imerso para a ligação seca entre Santos e Guarujá.

Publicação originalmente feita no LinkedIn.

Entre as mais de 70 empresas e instituições que apoiam a Campanha Vou de Túnel, destacam-se entidades representativas de engenheiros e empresas do setor. Para eles, a definição pelo túnel para a ligação seca é uma questão técnica.

Apoiam o movimento as instituições: Associação Internacional de Túneis, Comitê Brasileiro de Túneis, Associação Brasileira de Engenharia Civil, Associação de Engenheiros e Arquitetos do Vale do Ribeira e União das Associações de Engenheiros e Arquitetos do Litoral Paulista (UALP), que abrange os municípios de Registro, Peruíbe, Itanhaém, Mongaguá, Praia Grande, São Vicente, Guarujá, Cubatão, Bertioga. A Boskalis, empresa responsável pelo projeto do túnel para a Dersa, também apoia o movimento. Em artigo publicado no portal Portogente, entidades de engenharia explicam por que apoiam a solução imersa.

O artigo lembra que Associação de Engenheiros e Arquitetos de Santos (AEAS) abrigou, ao longo dos últimos anos, as principais discussões sobre a ligação seca, onde especialistas demonstraram a superioridade técnica do túnel em relação à ponte, por solucionar a demanda logística do Porto e promover a mobilidade pública.

Para os engenheiros que representam as entidades, o principal argumento é que o túnel não cria obstáculos ao canal de navegação.  “A Engenharia mostra que não cabe obstruir um canal de navegação”, explica o consultor do movimento Vou de Túnel, o engenheiro Eduardo Lustoza.

Também seria um ganho para o acervo de engenharia nacional uma obra de grande durabilidade, que leve em conta os aspectos ambientais e promova impacto visual positivo. Além disso, há o aspecto do custo-benefício, já que um túnel ficaria mais barato do que uma ponte, argumenta o engenheiro.

A maioria dos engenheiros afirma que o projeto do túnel promove a tecnologia e a inovação. Álvaro Luiz Dias de Oliveira, presidente da Delegacia Sindical do SEESP – Sindicato dos Engenheiros do Estado de SP – na Baixada Santista, acredita que o projeto trará um ganho significativo para a Engenharia nacional, visto que não há túneis submersos construídos no Brasil.

Oliveira também lembra que, com o crescimento previsto nas movimentações de carga no Porto de Santos e no fluxo de navios, há uma tendência de que o aumento de grandes embarcações reduza o tempo de operacionalidade das balsas, prejudicando o tráfego marítimo e a travessia dos usuários de Santos e Guarujá. Logo, o túnel pode impedir o impacto no trânsito do canal.

Além do risco de acidentes de navios junto aos pilares que uma ponte pode gerar, é importante também preservar o canal de processos de assoreamentos causados pelo caráter hidrodinâmico das marés, adverte o presidente. A segurança do canal possibilita seguir as prerrogativas operacionais de importações e exportações do Porto de Santos, além das operações do Polo Petroquímico e Industrial de Cubatão, salienta.

O túnel deve integrar um conjunto de obras e soluções logísticas para garantir o custo menor no Brasil de exportações, defende. “Além disso, o projeto contribuirá com a redução de tempo do trajeto entre as cidades, que será acompanhado da redução da emissão de gases poluentes, contribuindo com a qualidade de vida da população em geral. Soma-se a isso a possibilidade de inserção do VLT no projeto, que completaria a integração entre as cidades e o porto, trazendo conforto e prosperidade para a travessia, valorizando as cidades e o aspecto turístico da região”.

Roberto Costa, presidente da Associação de Engenheiros e Arquitetos do Vale do Ribeira e coordenador da União das Associações de Engenheiros e Arquitetos do Litoral Paulista (UALP), lembra que o túnel é a melhor solução técnica para beneficiar o Porto e a população e defende a promoção de audiências públicas para divulgar o projeto.

“É imperativo que se estude a travessia entre os dois municípios de forma a contemplar os dois fluxos de veículos: o rodoviário e o aquaviário. É uma obra com menores intervenções urbanas e no meio aquático, inexistindo a interferência entre a obra de arte e os navios”, afirma o engenheiro Luiz Zantuti, que garantiu o apoio da Associação dos Engenheiros e Arquitetos de São Vicente em 2019, quando presidia a entidade.

Zantuti considera uma boa solução viabilizar a construção do túnel via concessão de serviços públicos por meio da lei de Parcerias Público-Privadas entre as prefeituras de Santos, Guarujá e a iniciativa privada, incluindo, se possível, outras esferas de governo.

André Monteiro de Fazio, vice-presidente da Associação Brasileira de Engenheiros Civis de SP, lembra a responsabilidade da decisão por um tipo de ligação seca que atenda às especificidades locais: “Esse tipo de solução precisa valer por pelo menos 100 anos, dada a grande responsabilidade de uma obra deste porte”.

O túnel não oferece obstáculo ao calado aéreo do aeroporto de Guarujá e não impede a navegabilidade do porto, além de atender ao setor portuário, incluir o VLT, pedestres e ciclistas, afirma. O engenheiro defende a inclusão do túnel no modelo de desestatização, benefício que resultará em desenvolvimento regional e nacional para um Porto que hoje é responsável por 27% do PIB.

É imprescindível que se ouça a palavra de especialistas antes de se decidir por uma ligação seca. Conforme vem pontuando o engenheiro naval Casemiro Tércio, consultor da Campanha Vou de Túnel, é consenso na comunidade portuária internacional que ligações secas em áreas portuárias devem ser imersas, pois não inviabilizam a passagem de navios no canal de navegação. São as próprias recomendações da Associação Mundial de Infraestrutura de Transporte Marítimo (PIANC) que indicam a ligação via túnel como a melhor alternativa.

Fonte: Portogente.