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Na revista internacional Port Strategy, uma entrevista com Casemiro Tercio Carvalho, diretor do Porto e Negócios da Universidade Santa Cecília e porta-voz do movimento Vou de Túnel, aborda o debate da ligação seca e as vantagens do túnel. Traduzimos o material em inglês e destacamos aqui os trechos em que Carvalho aponta os benefícios da construção do modal imerso para Santos e Guarujá.


Carvalho destacou que o projeto do túnel é mais barato, que leva o mesmo tempo que a ponte para ser construído, e é a única proposta que não limita a navegação na região, melhorando a mobilidade urbana das cidades. O modal permitirá que navios maiores eventualmente possam atracar lá, disse.


Carvalho, que também foi presidente da Autoridade Portuária (SPA) de fevereiro de 2019 a maio de 2020, explica que o movimento Vou de Túnel reformulou o projeto do modal e reduziu o custo de R $ 3 bilhões para R $ 2,5 bilhões. Durante o mesmo período, o projeto da ponte da Ecovias (proprietária do Terminal Ecoporto) aumentou o tamanho e extensão da ponte para 700 metros, a fim de possibilitar a acessibilidade para navios de tamanho máximo) e, portanto, seu custo aumentou de R $ 3 bilhões a R $ 3,9 bilhões.


Em contrapartida, com o novo projeto, o custo do túnel se tornou mais barato com a proposta do emprego de estaleiros subutilizados no Brasil para a fabricação de blocos de concreto. Assim, o valor da obra do túnel ficará em R$ 2,5 a R$ 3 bilhões e o modal poderá ser construído em cerca de dois anos. Esta é uma escala de tempo comparável à da concorrência, o projeto da Ponte Santos-Guarujá, no valor de R $ 3,9 bilhões, com estimativa de 18 meses a dois anos para a fase de construção.


Carvalho argumenta que a opção de túnel poderia se beneficiar do uso de estaleiros brasileiros, como o EAS no Nordeste, Ishikawajima no Rio de Janeiro e o ERG no Rio Grande, no extremo sul, para pré-fabricar blocos e economizar com o custo de construção de uma instalação em Santos. O especialista em construção naval Armando Freige Rodrigues, diretor do Aquapar no Rio de Janeiro, concorda que a construção de blocos com esses estaleiros é “definitivamente viável” e essa localização é a melhor escolha, por conta da proximidade – o que possibilitará o barateamento do transporte de cargas pesadas das unidades.


A ponte poderia ter beneficiado proprietários de carga anos atrás para transporte de contêineres por caminhão, a partir da margem direita do Porto, em Santos, até a margem esquerda do Guarujá, uma viagem que dura cerca de 40 km e até 90 minutos (dependendo do tráfego) de distância, mas desde então a fusão de serviços significa que haverá um volume muito menor de contêineres circulando entre as margens.


Apesar dessa contração na movimentação de carga, há sólidos ganhos para uma travessia entre as duas cidades portuárias, principalmente para moradores que trabalham no porto de Santos (que emprega direta ou indiretamente cerca de 60 a 70% de todos os trabalhadores), muitos dos quais vivem em um lado do canal, mas trabalham em outro.


A Autoridade Portuária de Santos (SPA) convocou estudos iniciais sobre o túnel, a serem apresentados este mês (fevereiro de 2020). “Existem tantas vantagens diferentes a serem obtidas por escolher a opção de túnel, e um deles é o custo, e um dos principais é que ele não impede a chegada de mega navios no futuro ”, afirma Carvalho.


Ele explica ainda: “Além disso, em todo o mundo, portos que são estrategicamente importantes para a logística de um país não têm pontes, eles têm túneis. Um túnel será uma conexão muito mais eficiente para os dois lados do Porto”.
Carvalho, porta-voz do movimento Vou de Túnel, diz que o consórcio é composto por um grupo muito mais amplo de empresas do que aqueles que apoiam o projeto da ponte, e que beneficiaria “todos os cidadãos em ambos os municípios”.

Entre os financiadores do túnel estão Tarcísio Gomes de Freitas, o Ministro da Infraestrutura, e 34 empresas e entidades, incluindo as empresas de dragagem Van Oord e Boskalis, a Abratec (que representa muitos terminais de contêineres) e a Centronave (a associação de armadores de bandeira estrangeira em Brasil), Sindamar e vários outros.


Construir um túnel também “revolucionaria” o setor imobiliário de Guarujá, que sempre sofreu com cerca de 40-50 km de estradas congestionadas para Santos – onde está a maior parte da obra – e a atual balsa, onde o transporte de barco é demorado e invariavelmente sobrecarregado.