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O consultor, engenheiro e porta-voz da Campanha Vou de Túnel, Eduardo Lustoza, apresentou nesta segunda-feira (22) os detalhes e principais vantagens do projeto do túnel imerso para a ligação seca entre Santos e Guarujá, durante live da Fatec/Baixada Santista. Lustoza mostrou todas as características técnicas do túnel, sua inserção no âmbito urbano e na economia regional. O debate foi conduzido pela professora Vanina Sigrist, com participação do professor Dr. Jorge Monteiro Junior, que destacou a importância do projeto e a necessidade da construção de dois túneis na região.


Segundo Lustoza, o túnel configura-se como “uma avenida sob o estuário”, promovendo economia, eficiência e rapidez. O projeto permite o desenvolvimento do Porto de Santos e vai atender a mais de 40 mil trabalhadores que fazem a travessia diariamente entre Santos e Guarujá. Vai incentivar o desenvolvimento industrial, garantir maior eficiência na logística e agilizar a movimentação portuária, promovendo maior arrecadação tributária e desoneração de custos de transporte urbano.


O consultor e engenheiro citou a importância do momento atual, em que a Autoridade Portuária de Santos se compromete e se mobiliza, junto com o governo federal, para inserir o projeto do túnel no processo de desestatização do complexo portuário. Outra opção para viabilizar financeiramente o túnel é estabelecer uma Parceria Público Privada (PPP). “Empresas já mostraram interesse em materializar esse sonho”, disse. Lustoza pontuou que existe verba suficiente para construir o túnel, já que a receita tributária do Porto é superior a R$100 bilhões anuais. “A receita indireta na geração de empregos na indústria e comércio não pode ser estagnada por falta de investimentos no viário do Porto”.


Lustoza apresentou o vídeo do projeto que busca integrar porto e cidade e valorizar a mobilidade urbana e citou a força do movimento Vou de Túnel, que envolve universidades, sindicatos, associações e comunidades de bairros, dentre outros. Segundo ele, a proposta do governo estadual de construir uma ponte se tornou obsoleta, já que as áreas portuárias no mundo adotam túneis e seus diferenciais.


A ligação pela ponte significaria um gasto de combustível grande, uma volta de 55 km para alcançar o extremo da outra margem, trajeto que pode ser encurtado para 3,5 km com o túnel. “A proposta do governo do Estado de SP é basicamente uma ligação da Rodovia Anchieta com a Domênico Rangoni”, argumentou Lustoza. A ponte também afetaria o calado aéreo, já que a altura de 85m é um obstáculo à livre navegação e seus pilares também podem afetar a passagem de grandes navios. Para ele, é necessária a união de esforços para evitar também mais um custo para a região metropolitana com a instauração de uma praça de pedágio, proposta do projeto da ponte entre rodovias.


O túnel, por sua vez, terá cerca de 20 metros de profundidade e não afetará a livre navegação no principal porto do País. Com 1750 m de comprimento, a construção do túnel promoverá melhorias em vias locais, no comércio e economia para a logística dos caminhões, que hoje transitam entre a margem esquerda e a direita do Porto de Santos. O projeto ampliará a arrecadação tributária do Porto, que hoje sofre com estes gargalos logísticos. “Hoje a balsa atrapalha o navio e vice-versa, são cerca de 40 mil trabalhadores que fazem esse trajeto diariamente. Há um grande fluxo de veículos e cidadãos metropolitanos sofrendo nesse fluxo, e hoje temos a único acesso por margem esquerda”.


O túnel contará com três vias, rampas que atendem a todos os modais, incluindo VLT, e uma célula central de segurança para uso de pedestres e ciclovia. Além de não interferir nas áreas de manobras de navios, o túnel preserva a área de expansão da tancagem – Ilha do Barnabé –, não limita criação de novos berços no Largo Santa Rita e não restringe a passagem de embarcações especiais, como as plataformas de exploração de petróleo.


O traçado ocorre predominante em área portuária, com mínima demanda de desapropriação, atendendo ao trânsito de veículos leves e pesados. Permite a circulação de pedestres, ciclistas e skatistas, minimizando a dependência de travessias por balsas demoradas e onerosas. Terá menor inclinação nas rampas de acesso, isenção de tarifação para pedestres e ciclistas e ainda a redução dos prejuízos aos cofres públicos. Não inibe a entrada de plataformas de petróleo nem navios com mastros eólicos. E contará com emboques em meio urbano em ambas as cidades.


O túnel apresenta menor distância de travessia: são 7,5 km em ponte x 1,8 km via túnel, uma redução de 5,7 km de extensão. Há também o menor risco operacional aos caminhões, menor emissão de carbono (CO e CO2), menor poluição visual e menor custo construtivo, já que haverá uso de novas tecnologias já amplamente dominadas no exterior. A obra possibilitará a expansão da área portuária, com a possibilidade de construção de 24 novos berços e maior densidade de navios na região. “Já a ponte representa riscos para a livre navegabilidade no principal porto do país, para a industrialização da região e para a segurança aérea do Aeroporto do Guarujá”, explicou.


O continente europeu conta hoje com 81 túneis imersos, correspondendo a 60% dos 135 túneis construídos no mundo, e todos promoveram melhorias para o sistema urbano e portuário, proporcionando a remoção de pontes obsoletas, substituindo-as por túneis, pontuou Lustoza.


O moderno projeto do túnel atende à legislação da segurança à navegação, conforme a Convenção Internacional para Salvaguarda da Vida Humana no Mar, da Marinha do Brasil. E promove melhoria na qualidade de vida da população, conforme o critério da sustentabilidade e os Objetivos de Desenvolvimento Sustentável e a Agenda 2030 das Nações Unidas.

O projeto de ligação seca deve prever necessidades e vida útil de 100 anos, sem economias desnecessárias nas alças de acesso e urbanismo. “As melhorias efetuadas pela Autoridade Portuária no projeto original da DERSA e o novo chamamento público para a revisão dos projetos são vitais para reequilíbrio social da Baixa Santista”.


Em um futuro breve, um novo túnel poderá ser construído na região da Ilha do Barnabé, impulsionando a ocupação de Santos Continental e margem esquerda do Porto, destacou Lustoza. O consultor sugere que o projeto Linha Verde, do governo estadual, abrigue a proposta de um novo projeto submerso.